Início » Eventos, Multimídia

Carta da Cultura Digital Brasileira encerra o Seminário Internacional em SP

Blog do Seminário 21 de novembro de 2009
bT*xJmx*PTEyNTg5MTQyMzI3MTgmcHQ9MTI1ODkxNDI*NDIwMyZwPTE5ODY4MSZkPTcxcWw4MzJtcmMmZz*yJm89MzliNzIxOTc1MDU5NDYwYjg4ZDBjZmE4NjNlYWJhMjImb2Y9MA== Carta da Cultura Digital Brasileira encerra o Seminário Internacional em SP multimidia eventos

Vídeo: Claudio Prado lê a carta para o Ministro da Cultura e demais participantes da cerimônia de encerramento:

São Paulo, 21 de novembro de 2009

Carta da Cultura Digital Brasileira

a @dpadua, in memorian

Há muito esperava-se por este momento. Um grande encontro, voltado ao debate e à formulação de políticas públicas de cultura digital. Ele aconteceu. Foi breve e intenso.

Durante quatro dias, realizadores e pensadores da cultura contemporânea brasileira construíram uma zona autônoma livre na Cinemateca Brasileira.

Aqui, em São Paulo, virtualidades atualizaram-se em reuniões, rodas de conversas, seminários e shows. Encontros face a face que persistirão por meio de redes já constituídas e outras a constituir. Projetos, muitos projetos, surgiram de forma espontânea e colaborativa.

Diferentemente de outros fóruns, este não se pretende conclusivo. Tudo o que aqui se fez integra um processo, dinâmico, de formulação e criação. Esse processo prossegue. Não pode parar.

Esta carta, portanto, é apenas expressão do que se produziu nestes dias, com base em um prévio trabalho de articulação de quatro meses, realizado por meio da plataforma www.culturadigital.br – o primeiro site de redes sociais criado no Brasil para a construção de políticas públicas. É uma fotografia deste cenário. Nem menos nem mais.

A conjuntura é estimulante.

Três elementos compõem essa avaliação. 1. O programa de banda larga, encomendado ao conjunto do governo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva; 2. A nova lei de direitos autorais; 3. O projeto de marco civil da internet, proposto pelo Ministério da Justiça em parceria com a Fundação Getúlio Vargas.

Em relação ao programa de banda larga, é preciso garantir que a dimensão da educação, da cultura e do conhecimento estejam no centro dos debates, e não em posição periférica. Somos nós, pensadores e realizadores da cultura digital (potencialmente todos os cidadãos) que precisamos dessa banda para fazer fluir os fluxos criativos, econômicos e sociais.

O acesso à banda larga deve ser considerado um direito fundamental dos cidadãos e cidadãs, imputando ao Estado o dever de formular e implementar políticas para garantir o acesso universal – independente das condições socioeconômicas e da localização geográfica.

Considerando a necessidade de universalizar o acesso à Internet, o serviço de banda larga deve ser considerado um serviço público essencial, assim como os serviços de energia elétrica, telefonia fixa e água/saneamento básico, para que o Estado brasileiro possa melhor acompanhar a sua prestação, impondo metas de universalização, de continuidade e dos preços e tarifas praticados pelo mercado;

Sobre a lei de direitos autorais, é preciso que ela incorpore os direitos dos usuários e criadores digitais e tenha como princípio a ampliação do acesso à cultura por meio da rede mundial de computadores – um instrumento importante de democracia.

Antes de avançar, algumas considerações sobre a continuidade deste processo.

É preciso que o Ministério da Cultura garanta o Fórum da Cultura Digital Brasileira como um ambiente de formulação permanente de políticas públicas, constituindo assim um novo modelo institucional de governança baseado na interlocução permanente entre governo, estado e sociedade.

Nos próximos dias, submeteremos aos participantes da plataforma um proposta de organização dessa nova institucionalidade e pretendemos construir uma agenda com a Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura para garantir essa institucionalidade.

Também é fundamental que o ministério efetive sua entrada no programa interministerial de manutenção da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), constituindo dentro dessa instituição pioneira um programa de cultura digital em interface com a academia, a sociedade civil e o mercado de inovação;

Temos muito a propor.

Nestes dias, realizamos encontros setoriais de arte digital, comunicação digital, economia da cultura digital, infraestrutura para a cultura digital e memória digital. Para cada um desses eixos, designamos um curador, que produziu, em colaboração com participantes da rede social CulturaDigital.BR, um documento com a delimitação do campo em debate, um diagnóstico e propostas políticas e de políticas.

Esses documentos, extensos, foram submetidos à análise dos participantes deste seminário, em plenárias abertas. Agora, esse material será devolvido à rede, para ser reavaliado e complementado pelos internautas, constituindo-se em matéria-prima para quem quer transformar a imaginação em ação. Deve servir ao Governo Federal, mas também a governos estaduais, municipais e às instituições culturais da sociedade civil e do mercado.

Esses documentos estarão acessíveis na rede social nos próximos dias.

Por fim, é preciso dizer que, mais importante que as redes são as pontas dessa rede, onde os seres vivem e realizam suas existências.

Este fórum é dedicado ao amigo, companheiro e construtor de imaginários Daniel Pádua, que partiu na manhã do dia 20 de novembro, dia de Zumbi e da Cultura Digital Brasileira.

Imagem: folders do evento, feita por Lou Gold, disponível em seu Flickr.

Artigos Similares

Deixe seu comentário!

Escreva seu comentário abaixo, ou insira um link do seu próprio site. Você também pode acompanhar os comentá via RSS.

Mantenha o tópico em ordem. Spam não é permitido.

Você pode usar as seguintes tags:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.