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Publicação apresenta radiografia do setor de software no País

Ministério da Ciência e Tecnologia 25 de novembro de 2009

A Softex, por meio do Observatório Softex, unidade de estudos e pesquisas da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro, lança amanhã (26), às 10h, no Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o primeiro volume da publicação Software e Serviços de TI: A Indústria Brasileira em Perspectiva. Trata-se de um trabalho inédito abordando o setor de software e serviços de TI no País.

A publicação é composto por seis partes: a indústria brasileira de software e serviços de TI (IBSS); software e serviços de TI como atividade secundária nas empresas (NIBSS); capacitação e competências para o setor de software e serviços de TI; cenários e projeções; adoção e uso das tecnologias da informação e comunicação (TICs); e marco institucional para o setor de software e serviços de TI.

Ao todo são 15 capítulos com números e análises que traçam uma radiografia bastante precisa do setor. O ponto de partida para a coleta e a organização das informações foi a Classificação Na cional de Atividades Econômicas (Cnae), adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), parceiro da Softex na busca de dados. O período de 2003 a 2006 foi o utilizado pela equipe de pesquisadores por tratar-se dos números mais recentes disponíveis no período de realização do estudo, complementados com extrapolações para os últimos anos seguindo as tendências observadas.

O levantamento adota uma metodologia inovadora e compatível com indicadores internacionalmente aceitos, o que simplifica o cruzamento de dados com institutos de pesquisa e organismos oficiais, tanto do Brasil como do exterior. O estudo faz ainda importantes projeções de cenários para os próximos anos.

O setor

Em 2005, o setor contava com 365.407 profissionais com vínculo empregatício em funções envolvendo software e serviços de TI (PROFSS). Do total, 80.463 contratados pela indústria brasileira de software e serviços de TI (IBSS) e 284.944 pelas empresas de diversos segmentos nos quais as atividades de software e serviços são secundárias (NIBSS).

Entre os anos de 2003 e 2006, o número de empresas da IBSS cresceu, em média, 4,8% ao ano e o de ocupados, 12,6%. A receita líquida da IBSS, que em 2006 chegou à casa dos R$ 36 bilhões (valores correntes), apresentou taxa média de crescimento, no período, de 7,9% ao ano.

Um dos pontos fortes do levantamento diz respeito ao mapeamento dos profissionais com emprego formal em ocupações diretamente relacionadas com software e serviços de TI. A presença de PROFSSs é utilizada pelo Observatório Softex para estimar o VRProfss (valor hipotético, monetário, adicionado aos negócios por profissionais envolvidos em atividades de software e serviços de TI) e para avaliar o grau de informatização dos setores que constituem a NIBSS (finanças, comércio, administração pública, entre outros).

A primeira parte da publicação é dedicada à IBSS. Ela aborda indicadores gerais tais como número de empresas, distribuição geográfica, receita, custos e despesas operacionais e atividades com inovação. São analisados aspectos tributários e trabalhistas; indicadores de desempenho (gestão, produtividade e distribuição da riqueza); e a demografia de empresas, incluindo nascimento, morte e tempo de permanência no mercado.

O estudo aponta para um crescimento constante da IBSS, especialmente da sua força de trabalho. No período 2003 a 2006, o número de pessoas ocupadas na IBSS, incluindo proprietários com atividade na empresa, assalariados e sócios cooperados, cresceu a uma taxa média anual de 12,6%. Segundo o Observatório, este ano a IBSS contará com 540 mil pessoas ocupadas. E entre os ocupados, o conjunto que mais cresce é o de assalariados.

Educação

Ainda no que se refere à força de trabalho, o Observatório ratificou o que já era senso comum no setor: o nível de educação formal dos profissionais de TI é elevado. Entre as empresas filiadas ao Sistema Softex e a entidades parceiras, quase 75% deles – incluindo assalariados, terceirizados ou sócios que desempenham atividades diretamente relacionadas com software e serviços de TI – têm nível superior (57,1%) ou pós-graduação (16,7%).

No entanto, o setor está tendo dificuldades para contratar. Há vagas em aberto; das empresas entrevistadas, 48,2% definiram como “ruim” e outras 48,2% como “razoável” a formação do profissional de TI disponível no mercado para contratação. Apenas 3,6% consideraram essa capacitação “ótima”, afirmando não ter dificuldades para recrutamento de pessoal com o perfil desejado.

Por meio de simulações e considerando cenários diversos, mais ou menos intensivos em mão de obra, o Observatório conclui que a falta de profissionais de TI se acentuará no decorrer dos anos. Com apoio de experiências baseadas na disciplina Dinâmica de Sistemas, e tendo como ponto de partida os dados levantados sobre a quantidade, a produtividade e a receita gerada por PROFSSs, projetou-se, até 2013, o déficit (de 140 mil PROFSSs) considerando diferentes cenários

O Observatório também comparou indicadores de adoção e uso das Tecno logias de Informação e Comunicação (TICs) de 24 países selecionados, incluindo o Brasil, para o período 1998 a 2006. Entre os europeus, estão Portugal, Alemanha, Espanha, França, Irlanda, Itália e Reino Unido. Da América Latina, Argentina, Chile, Costa Rica, México, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.

Entre os países desenvolvidos não integrantes da União Européia, estão Estados Unidos, Japão, Canadá, Austrália e Israel. A amostra inclui ainda os Brics – Rússia, Índia, China e África do Sul. São países com enorme variação populacional e diferentes Índices de Desenvolvimento Humano (IDHs). O estudo comparativo comprova a brecha digital, mostrando a forte relação entre o IDH do país e a sua capacidade de criar infraestrutura, usar e adotar as TICs. Também é possível verificar em que indicadores, em relação aos seus pares, cada país se encontra melhor posicionado.

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