Comissão de lan houses apresenta projeto de lei até 20 de maio
O presidente da Comissão Especial dos Centros de Inclusão Digital (lan houses), deputado Paulo Teixeira (PT-SP), adiantou hoje em audiência pública que o relator do colegiado, deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), vai apresentar no próximo dia 20 de maio a primeira versão de um projeto de lei que regulamenta esse tipo de estabelecimento no País. Na data, a comissão realiza nova audiência em São Paulo e, no dia seguinte, no Rio de Janeiro.
Teixeira antecipou que a nova legislação deverá prever uma base tributária pequena para as lan houses, assim como incentivos fiscais na compra de softwares e equipamentos. “Devemos dar maior formalidade, regularidade e incentivo a esse tipo de atividade”, afirmou.
O presidente adiantou também que a proposta deverá tratar da localização das lan houses, que hoje, segundo algumas leis municipais, devem ficar a uma distância mínima de um quilômetro das escolas. A ideia é uniformizar a regra em todo o País. De acordo com o deputado, a proposta deve ainda garantir às lan houses nas conexões à internet de banda larga. “Já que há muitas legislações restritivas, vamos na direção do fim dessas restrições. Também vamos buscar resolver o problema da frequência de crianças e adolescente [a esses locais]“, acrescentou.
Incentivos à atividade
O coordenador do Programa de Inclusão Digital da Presidência da República, Cezar Alvarez, ressaltou que, na regulamentação, o projeto deve qualificar as lan houses, hoje consideradas casas de jogos. “É consenso em vários estudos que as lan houses são espaços sociais e culturais e de inclusão digital. Portanto, a atuação do Poder Público deve ser para qualificar esses espaços, em áreas como educação, formação de redes, prestação de serviços em geral e suporte a serviços públicos”, ressaltou.
Segundo Alvarez, apenas 1% das lan houses é completamente regular. Para ele, uma das causas do grande número de estabelecimentos irregulares pode ser o alto custo dos processos de legalização, que, de acordo com o coordenador, chegam a 10% dos custos totais dos empreendimentos. “Por isso, o governo tem de oferecer parcerias e benefícios, como financiamentos do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], uso do vale-cultura nesse espaços, incentivos e subsídios”, argumentou.
Classificação das lan houses
Cesar Alvarez anunciou na audiência pública que as lan houses terão nova classificação adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Como são considerados casas de jogos, esses estabelecimentos têm o processo de legalização dificultado, pois é necessário um alvará do Juizado de Menores para funcionarem. Esse alvará, segundo representantes do setor, dura apenas 180 dias e pode demorar até 28 meses para ser expedido. Com essa classificação, as lan houses também não conseguem benefícios tributários e fiscais concedidos a outras atividades econômicas.
De acordo com Alvarez, a reclassificação já foi aprovada pelo Ministério da Fazenda e deve ser adotada nos próximos dias.
Proteção a crianças e adolescentes
O delegado da Polícia Federal responsável pela unidade de repressão aos crimes cibernéticos, Carlos Eduardo Miguel Sobral, também reconheceu a importância das lan houses, mas defendeu a adoção de medidas de proteção a crianças e adolescentes e de combate a crimes virtuais. Ele sugeriu, por exemplo, que a nova lei determine modificações nos computadores a serem utilizados por crianças, de forma que haja controle do acesso a conteúdos impróprios.
Segundo Sobral, também poderiam ser adotados programas que registrem os sites navegados pelas crianças. Os dados, dessa forma, ficariam disponíveis para os pais por um período determinado. “Seria possível ainda condicionar o acesso de crianças à internet em lan houses a cadastramento e autorização dos pais”, propôs.
Sobral lembrou que o Brasil é um dos maiores distribuidores de pornografia infantil na internet. Segundo ele, o País consta frequentemente em quarto ou quinto lugar na lista de países com maiores índices de registros desse tipo de crime. Segundo ele, também é alto o índice de fraudes bancárias pela internet, citando que os prejuízos para o setor causados por essas irregularidades chegam a R$ 500 milhões por ano. Para o delegado, contudo, o País conta com uma legislação “muito avançada” sobre o tema.
Criminalidade de alta tecnologia
O delegado destacou que as novas modalidades de crimes que surgiram com a criação da internet são um grande problema enfrentado pelo País. Ele citou a “criminalidade de alta tecnologia”, ou seja, condutas que colocam em risco sistemas de transportes, comunicação ou energia. “São ações isoladas, mas que, se alcançado o objetivo, têm consequências enormes”.
Sobral citou ainda ações como o acesso indevido a dados pessoais e o chamado “ataque de negação de serviço” – quando alguém intencionalmente interrompe a operação de uma empresa que oferece produtos ou serviços pela internet. Para ele, é fundamental a tipificação desses delitos para que haja punição. “Outra demanda urgente é o desenvolvimento de procedimentos. Se não houver como chegar de forma rápida ao criminoso, em um ambiente em que a internacionalidade é a regra, a chance de encontrá-lo é muito pequena”, acrescentou.
Câmara lança comunidade virtual
A Câmara lançou hoje comunidade virtual para discutir normas para as lan houses. De acordo o presidente do colegiado, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), já foram cadastrados mais de mil interessados em participar da consulta pública aos projetos em discussão. Segundo o relator, deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), trata-se do maior número de participantes nesse tipo de debate virtual na Câmara.
A comunidade das lan houses tem como objetivo principal reunir todos os grupos de interesses relacionados ao tema: donos de estabelecimentos, ONGs, setor público e usuários. O espaço virtual servirá para trocar experiências e compartilhar conhecimentos a fim de contribuir com sugestões e propostas para a elaboração da política de regulamentação do tema.
Paulo Teixeira afirmou que a iniciativa deve permitir a elaboração de uma proposta legislativa por meio da participação popular digital. “Nosso objetivo é construir uma regra nacional que classifique as lan houses como centros de inclusão digital popular”, explicou. A comunidade virtual ficará disponível no portal e-Democracia.
Referência: Íntegra em vídeo da audiência pública da Comissão Especial
Íntegra da proposta:






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