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Ecad discorda das alterações propostas pelo Ministério da Cultura na lei dos direitos autorais

Agência Brasil 6 de agosto de 2010

O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) não concorda com as alterações propostas pelo Ministério da Cultura, na Lei de Direitos Autorais. No texto da nova lei o governo passará a ter maior controle sobre arrecadação e acesso às obras.

Segundo a superintendente executiva do Ecad, Glória Braga, a maneira como as mudanças foram apresentadas tira a autonomia dos artistas sobre suas criações e dá um entendimento errado no que se refere aos direitos autorais.

“O anteprojeto prevê que os direitos do autor sejam harmonizados com os direitos do consumidor, da livre concorrência e livre iniciativa. Essa nova lei traz para discussão questões que nada têm a ver com o que está se protegendo na lei de direito autoral”, destacou Glória.

O diretor de Direitos Intelectuais do Ministério da Cultura, Marcos Alves de Souza, disse que a intenção do governo federal é harmonizar os direitos dos criadores com os de investidores da área cultural e também com os direitos do cidadão.

O anteprojeto surgiu de um fórum nacional de direitos autorais, promovido entre os anos de 2007 e 2009. Foram realizados oito seminários nacionais, um internacional e mais de 80 reuniões setoriais com os interessados e envolvidos com o tema de direitos autorais.

Para o diretor, o anteprojeto vai facilitar o acesso do cidadão à cultura, à informação, ao conhecimento e à educação. “O governo federal procura harmonizar esses quatro interesses, grupos de direitos com esse anteprojeto de lei e a nossa intenção em consulta pública é ampliar o debate entre a sociedade e ter a maior diversidade de opiniões possíveis,” informou.

De acordo com o compositor e presidente da União Brasileira de Compositores, Fernando Brant, o anteprojeto considera apenas a parte monetária e despreza o autor. Ele disse que cabe ao autor o direito de decidir como utilizar suas obras e que é um direito privado, não compete ao governo decidir sobre isso. “Esse anteprojeto não foi reivindicação da classe autoral. Isso foi criado dentro do ministério. Isso é coisa de burocrata”, disse.

Fernando critica o anteprojeto e diz que a proposta confunde a Lei de Direitos Autorais com outras leis, retirando o foco do autor. “Quem tem que autorizar ou não cópias é o autor, o direito é privado não é público.”

As alterações indicadas pelo Ministério da Cultura por meio de anteprojeto tem como foco os direitos autorais de obras intelectuais, regulados pela Lei 9.610/98 e estarão disponíveis para consulta pública até o dia 31 de agosto de 2010.

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