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Senado debate uso de mídias digitais na comunicação com a sociedade

Agência Senado 2 de setembro de 2010

Foi realizado hoje o 1º Workshop de Mídias Digitais do Senado Federal, que aconteceu no Plenário 2 da Ala Nilo Coelho. O evento foi mediado pelo diretor da Consultoria Bites, Manoel Fernandes, que também ministrou as palestras “Web 2.0 e as Redes sociais: conceitos e estratégias” e “O jornalismo na web: a indexação de bons conteúdos”.

A programação ainda incluiu, pela manhã, a palestra “Novas mídias: a comunicação do século XXI”, do consultor em mídias sociais Marcelo Coutinho, professor da Fundação Getúlio Vagas; à tarde, foi a vez do diretor da empresa de investimentos Ikeway, Fernando Sodré, falar sobre “A comunicação na era da mobilidade”. Também ocorreu um bate-papo com o blogueiro e cantor Léo Jaime.

Mais diálogo entre governo e cidadãos pela internet

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Funcionários do Senado Federal acompanharam a palestra de Marcelo Coutinho, que frisou que as instituições públicas precisam se adaptar às mudanças nas relações com a sociedade provocadas pela internet e aproveitar os novos canais para falar com o cidadão.

Coutinho expôs os conceitos e estratégias das redes sociais na internet – tema da sua palestra no 1º Workshop de Mídias Digitais do Senado Federal – e concluiu que, apesar da ampliação do acesso à internet, é preciso mais participação das instituições públicas na web e nas redes sociais (como Facebook, Orkut e Twitter, entre outros). Órgãos públicos devem, de acordo com o pesquisador, oferecer oportunidades de interação com os cidadãos.

- As instituições públicas que atendem ao interesse público como o Senado devem falar com as pessoas por meio da internet. Não se trata apenas de um nicho, mas parte significativa do eleitorado – afirmou no workshop, organizado pela Secretaria Especial de Comunicação Social (Secs) e pelo Instituto Legislativo Brasileiro (ILB).

Fontes

Segundo o professor, o aparecimento das redes sociais reordenou a estrutura de poder da comunicação porque o cidadão usuário da internet deixou o papel de receptor das informações públicas para se transformar em produtor e fonte das notícias. Isso ocorreu, principalmente, por causa da ampliação do acesso à internet e da redução de custo para a produção e distribuição de conteúdos.

- As barreiras de custo para produzir e distribuir informação despencaram, o que abalou o monopólio dos meios de comunicação e modificou as relações de poder – resumiu Coutinho.

O professor da FGV explicou que a internet é a terceira mídia com maior poder de informação, atrás apenas de TV e rádio. Como o perfil dos usuários é formado basicamente pela população jovem, sua importância tende a crescer. Entretanto, ele disse não acreditar que as mídias tradicionais desaparecerão.

- Meios de comunicação como TV, rádio e jornal continuarão existindo, mas sua importância tem diminuído. A mídia de massa influencia parte dos temas debatidos nas redes sociais, mas também é pautada por elas – avaliou.

Senado busca posição de vanguarda no uso de redes sociais

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O Senado Federal assumiu a vanguarda no processo de aproximação entre o Poder Legislativo e a sociedade. A afirmação partiu do jornalista Manoel Fernandes. Um termômetro do estreitamento dessa interação virtual, segundo exemplificou, são as 112 mil citações desta Casa na rede social Twitter nos últimos cinco meses.

- Não existe nenhuma casa legislativa no país em que esteja tão patente esse desejo de ser mais transparente e falar diretamente com as pessoas – sustentou.

Só nos últimos 30 dias, Manoel Fernandes levantou quase 15 mil citações sobre o Senado em blogs. Há 431 comunidades identificadas no Orkut sobre a Casa com diferentes posições sobre o trabalho desempenhado por ela. Um desses grupos reúne cinco mil pessoas que se identificam como fiéis espectadores da TV Senado. Em outras comunidades, o tom é de crítica à instituição.

Apesar da presença do Senado nas redes sociais vir crescendo, o diretor da Bites acredita que a instituição deve ser mais ágil na resposta a seus seguidores, por exemplo, no Twitter e no Orkut.

- É preciso trazer informação da sociedade, via redes sociais, para melhorar o processo legislativo. O papel das mídias sociais no Senado deve mesclar a reação a críticas com uma atitude pró-ativa de propagação dos seus conteúdos – recomendou Manoel Fernandes.

Atualmente, no Brasil há 65 milhões de usuários da internet, o que coloca o país em nono lugar no mercado mundial. Como apenas um terço das casas tem computador, metade dos acessos à rede ocorre em lan houses.

Celular cresce como ferramenta de acesso à internet

 Senado debate uso de mídias digitais na comunicação com a sociedade noticias O acesso à internet, hoje em dia majoritariamente feito a partir do computador, também vem crescendo por meio de aparelhos móveis de telefonia e dispositivos portáteis, como os tablets, e por isso, as instituições precisam trabalhar seus processos de comunicação também pensando nesses meios.

Isso significa que as empresas precisam preparar as suas páginas da internet para serem lidas por meio do telefone, com informações mais leves. Esta foi a tônica da palestra de Fernando Sodré, diretor da empresa de investimentos Ikeway.

Em 2009, o Brasil contava com 190 milhões de celulares ativos sendo que, deste total, 19 milhões de aparelhos acessavam a internet. A projeção para 2010 é que os celulares com acesso à rede cheguem a 29 milhões, e, em 2014, estima-se que 58 milhões de aparelhos smartphone – com banda larga – estejam ativos no Brasil.

Para Fernando Sodré, isso representa uma revolução nas comunicações porque permite ao indivíduo um poder inédito de divulgar informações sem necessidade de intermediário. Se o broadcast – em que uma instituição transmite informações para vários indivíduos – viu surgir o socialcast, situação em que vários indivíduos divulgam informação entre si, Fernando aposta que o futuro nos trará o unicast, em que um indivíduo influenciará muitos.

Interação

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O músico Leo Jaime, que mantém um blog, tem contas no Orkut e no Facebook e mais de 80 mil seguidores no Twitter, respondeu a perguntas dos demais palestrantes e do público que compareceu ao workshop. Ele atribuiu sua popularidade nas redes sociais à compreensão de que o fundamental nesse universo é a ideia da interação.

- Parto do princípio de que estou conversando. A ideia de que você não está empurrando nada goela abaixo das pessoas é essencial para que elas não se armem em relação a você – disse.

Leo Jaime é o que os estudiosos de redes sociais chamam de “agregador”, pela sua capacidade de promover debates entre diferentes perfis de usuários e permitir que pessoas com interesses semelhantes possam “se encontrar” e trocar informações.

Em referência a Marcelo Coutinho, que pela manhã utilizara a metáfora da mesa de bar para se referir à difusão de informações na web, Leo Jaime disse preferir a analogia da “conversa de padaria”.

- Todo mundo quer falar ao mesmo tempo, e também quer saber do que está acontecendo. Assim, você precisa propor assuntos que sejam ao mesmo tempo surpreendentes e compreensíveis, propor conversas que sejam estimulantes para os outros também – disse.

O músico recomendou a todos aqueles que querem difundir ideias ou produtos utilizando como ferramenta as redes sociais que não se comportem como “outdoors ambulantes”.

- Se não, sua opinião, que é o que realmente importa, não terá peso nenhum – disse.

Já Manoel Fernandes, ao fim do workshop, abordou técnicas que podem garantir melhor colocação de um documento nas pesquisas feitas via Google. Entre as dicas para ranquear melhor um sítio nas buscas, Fernandes sugere que palavras-chave apareçam no título e no início do texto e que o endereço na web (url) também contenha as mesmas palavras-chave.

Além disso, a publicação deve ser divulgada o máximo possível em redes sociais – como o Twitter, Facebook e blogs. Quanto mais o endereço for espalhado na web, mais bem colocada a página será na busca.

- Faça seu conteúdo ser compartilhável – ensinou Manoel Fernandes.

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